quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Chega de TPM

Dizem que as mulheres são instáveis por causa dos tais hormônios. Tem a tal da Tensão Pré Menstrual –a famosa TPM−que para mim é besteira, o que existe são dias bons e dias ruins.

Parece-me bastante plausível que certas variações de humor tenham relação com os tais hormônios, mas me irrita bastante que os sentimentos femininos sejam menosprezados à simples TPM. Então, se uma mulher chora, não é porque ela está triste é porque ela está na TPM; se uma mulher grita, não é porque ela precisa se fazer ouvida, é porque ela está na TPM.

Uma mulher é muito mais que uma TPM. Que digam então, quando ela chorar, “É porque ela tem sensibilidade”; que digam quando ela gritar, “é porque ela é intensa”.

Chega de rótulos.

Estou muito cansada hoje.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

“Campos, visite antes que acabe”


Os que se importavam reuniam-se de luto sob o sol das onze horas. As mulheres, sempre intituladas como mais sensíveis (com orgulho), choravam aquela perda. Alguns homens bravejavam sua insatisfação, outros ponderavam, outros se uniam ao choro.

Não era uma pessoa que morria, é uma história que morre. A história de milhares, de milhões de pessoas. 175 anos de relatos sobre uma sociedade de memória curta. O jornal Monitor Campista, que nasceu antes mesmo da cidade que o abriga, Campos dos Goytacazes, simplesmente está às vésperas de não ser mais visto nas bancas, de não ser mais deixado no quintal dos tantos que o liam e dos tantos que ainda o leriam. Por isso parte da sociedade se uniu em um lamento, em um pedido, "Viva Monitor".

A cidade chora, ainda mesmo que não estivessem todos lá, em frente a sede do jornal. Todos choram porque nós somos a história que nos embala e o campista cada vez mais é privado de ter a sua história. É obrigado a ser uma página em branco, não ter personalidade, não saber qual é a sua cara. Cultura da cana de açúcar, do chuvisco, da goiabada. Queremos saber quem somos, nos orgulharmos até mesmo do que traz o riso a alguns, o nosso campistês, o nosso jeito peculiar de nos expressar, de trocar os fonemas, de nos xingar de “cabrunco”, “lamparão”. O campista que não se assume, que prefere fugir a lutar por algo de melhor para nós mesmos, que derruba teatros, que fecha jornais é o que não queremos aqui. Se tudo que nos representa continuar a vir ao chão, logo não haverá mais essa cidade. "Campos, visite antes que acabe. E, o último a sair apague a luz", disse uma das vozes revoltadas.

Quantos gritos precisamos dar para que nos ouçam? Sentimos falta sim daqueles de quem nos orgulharmos, em quem votamos para nos representar, para fazer a nossa voz soar mais alto. Orgulho é dizer que os meus professores estavam lá. A eles quero me unir sempre: Vitor Menezes, Fernando da Silveira, Leonardo Vasconcelos, também os amigos, os exemplos, representantes de sindicatos, jornalistas de outros jornais. Esses fazem parte da minha cidade. Os outros, os que não se importam devem ser figurantes que andam por aí e nunca olham de cara para a câmera.

Viva Monitor!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Como perder um ônibus

O céu de meio-dia queimava minha pele. Sentada em um dos bancos do ônibus, olhava pela janela. Sentia o cheiro do sol quente. Estava tranqüila. O ônibus estava parado no ponto final. As pessoas entravam como se estivessem em busca do último colete salva-vidas. Sentavam, às pressas nos bancos que encontravam vazios e de um em um, os lugares iam sendo ocupados.

Do lado de fora, sentados no banco do ponto de ônibus, um casal. Jovens, com uniformes de escola, deviam ter cerca de dezesseis, dezessete anos. A menina falava rápido, o menino só ouvia. De vez em quando, ela dava um sorrisinho tímido como se estivesse falando algo que ela mesma achasse bobo. Cada um olhava para um lado e era como se seus olhares se cruzassem em “X”, já que cada um olhava para o lado oposto que o outro, em diagonal ou como se fossem camaleões, que se olham de lado.

A menina falava; o menino não. De vez em quando, ela virava um pouco o rosto na direção dele, como se quisesse confirmar que ele a estava ouvindo e ele rapidamente balançava a cabeça em gesto positivo, que simbolizava estar ouvindo. Repetidamente. Ela falava; ele não falava; ela dava o sorrisinho; ele a ignorava; ela olhava p´ra ele e ele fazia um discreto sinal positivo com a cabeça.

De fato, ele não devia estar escutando. Ele era um belo rapaz, com aparência vaidosa, corpo em forma. Ela era feia, um pouco acima do peso, aparelho nos dentes, cabelo empastado na cabeça e parecia ter uma voz enjoada, daquelas fininhas e esganiçadas.

Queria ouvir o que ela dizia. Olhava diretamente para eles a uma distância de três ou quatro metros, mas não conseguia escutar. Tentava ler lábios, mas era em vão. Ele não a ouvia e eu também não.

O ônibus ameaçou sair. O rapaz pegou rapidamente a mochila e tentou se levantar quando a menina o segurou pela perna. “Quer namorar comigo?!” Li perfeitamente o que ela disse. O menino balançou a cabeça positivamente... Perdeu o ônibus.

domingo, 30 de agosto de 2009

Estréia "Efígie"

11 de setembro de 2001. A poeira impedia as vítimas de enxergar o que acontecia. Um ícone do mundo capitalista vinha ao chão. O ataque ao “World Trade Center” entraria para a história. Oito anos depois, essa é a data escolhida para apresentar à cidade de Campos “Efígie” — a primeira produção cinematográfica de Carlos Alberto Bisogno. O curta-metragem, que traz em seu título à idéia de uma representação fúnebre, estréia neste 11 de setembro, às 20h, no Auditório Prata Tavares, no Palácio da Cultura.

No elenco, os atores Yve Carvalho e Kássyla Corrêa, em um enredo surreal, dão forma a um artista plástico e uma bailarina que, angustiosamente, se envolvem. Alberto Bisogno além de dirigir o filme, é compositor da trilha sonora, produtor, editor e roteirista. Assim como a assistente de direção, Lívia Nunes, também é responsável pela direção de fotografia. A direção de arte teve a assinatura de Angélica Liaño. A Maquiagem ficou nas mãos de Marcinho Manhães e a maquiagem de efeito foi feita também por Liaño. A coreógrafa foi a bailarina Michelle Cristinne do Núcleo de dança Chamart.

— A dificuldade de encontrar pessoas que se comprometessem a realizar o projeto conosco por pura paixão, sem apoio financeiro, fez com que cada um acumulasse todas as funções que podia. Isso acabou ajudando no final. Os resultados foram os melhores. A coreografia para a personagem me deixou muito satisfeito. Senti que a coreógrafa entendeu exatamente o que eu queria dizer com filme. A direção de arte também deu o tom certo para a história e a fotografia em suas variadas tonalidades foi o véu que direcionou a forma como as cenas seriam encardas, em alguns momentos, tirando-lhes o peso e, em outros, acrescentando — confessa o diretor e idealizador da produção.

O enredo retrata um momento da vida de um artista plástico que se intercala com a de uma bailarina, ambos atormentados pelo vazio de suas vidas e pelo fracasso, cada qual do seu jeito. Ela opta pela morte; ele em sua angústia decide retratá-la, mesmo tendo que invadir a morte para poder criar o seu quadro.

— Esse filme é uma incógnita na mente de quem o assiste porque não foi feito para que alguém sente e receba uma informação pronta. Há um diálogo entre o filme e o espectador. Cada um tem uma interpretação diferente dessa história — diz.

Como cenário, o filme usa apenas três ambientes, que são um quarto, uma sala e um bosque. Espaços procurados e analisados para que pudessem servir como o esperavam. Nenhum ambiente, assim como as roupas e os objetos utilizados, poderia especificar exatamente a época e o lugar onde a história se passa.

— No elenco, o Yve foi, sem dúvida, um presente para o meu primeiro filme. Eu não esperava que um ator com uma carreira tão estabelecida no teatro fosse abraçar tão prontamente um projeto no qual teria que confiar inteiramente em um desconhecido, que era eu — conta Bisogno, completando com a satisfação de ter encontrado também a atriz certa. “A Kássyla foi um verdadeiro achado. Várias atrizes desistiram deste projeto pela sua intensidade e necessidade de dedicação. Sabia que somente alguém que realmente se entregasse à arte de ser uma atriz aceitaria esse papel. Ela, tão jovem, apesar do teor forte do enredo, aceitou e foi como se só ela pudesse ter realizado esse papel”, comenta.

Apesar de chamado popularmente de curta-metragem, o filme de 19 minutos e 18 segundos é considerado um média-metragem, de acordo com a classificação da Ancine — Agência Nacional de Cinema. Criando uma união das artes — típica da cinematografia, “Efígie” tenta englobar a literatura, a fotografia, o teatro, a música, artes plásticas e a dança em seus poucos minutos.

— Não tivemos apoio financeiro de nenhuma espécie, porém apesar das inúmeras dificuldades decorrentes disso, pudemos contar com pessoas que se dispuseram a nos ajudar da forma que puderam, como o cinegrafista Willen “McGyver” de Paula e a colunista social Lenilda leonard. Com o talento da equipe e a boa vontade dos amigos, conseguimos superar as dificuldades — diz.

Apesar da estréia marcada, essa não é a primeira exibição pública de “Efígie”. Ele foi, apresentado, em duas exibições, no início do mês de agosto na Mostra Informativa do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, na cidade do Rio de Janeiro. Agora, a equipe, espera ansiosamente, o dia de apresentar o filme à Campos.

— 11 de setembro é um dia que carrega, desde 2001, um peso muito grande. O atentado foi um choque para o mundo, assim, como eu desejo que “Efígie” seja um choque para os que o assistirem, um atentado. As pessoas precisaram parar para pensar no por que daquilo tudo, assim como esse filme não pode ser visto superficialmente. Inevitavelmente, é preciso mergulhar em si mesmo, e procurar em si as respostas — finaliza.

sábado, 25 de julho de 2009

Maisa p´ra prefeita

Durante a manhã de sábado, o Jean - meu filhinho de quatro anos - está assistindo um programa no Sbt, apresentado por uma menininha muito engraçada, que acaba de dizer que "o carrinho da hot wheels está embriagado". Embriagado?! É. Isso porque ela se meteu a brincar com uma pista de corrida e a brincadeira não funcionava, o carrinho saia da pista e caía no chão. Esse brinquedo eu não compro p´ro Jean, já vi que não funciona direito. A garota tem tiradas muito boas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Todos convidados para a nossa festa

domingo, 14 de junho de 2009

Crises sempre existem

Penso em alimentar este blog pessoal com o máximo de coisas vãs que passarem pela minha mente, por enquanto. Por isso, com pequeno intervalo de tempo, o preencho novamente:

Parece-me que uma vez por ano tenho uma crise existencial que desordena minha vida. Por algumas, passo ilesa; outras destroem tudo que tenho pela frente. Quem me conhece há um pouco mais de tempo, deve saber mais ou menos (mais p´ra menos) como é isso.

O último confronto comigo mesma foi há menos de um ano e me obrigou a largar a coisa mais próxima de um emprego que eu já tinha tido até então: um estágio remunerado (questiona-se) em um jornal local. Detalhe é que foi uma dessas crises que me pôs nesse quase emprego, dois anos antes. Outra crise gerou um filho; outra, há bastante tempo, me fez abandonar a segunda coisa mais parecida com um emprego que já tinha tido: uma bolsa de trabalho na escola federal em que estudava.

Por que escrevo isso? Por que falar sobre isso se não há o menor interesse em divulgar qualquer coisa que seja? Porque no fundo a gente só quer se conhecer, “de um modo ou de outro”. Acho que também deve existir uma veia jornalística que diz que as coisas precisam ser registradas.

Sou muito mais dura com meus próprios sentimentos hoje do que há tempos atrás. Mais sóbria, creio eu. Minha forma de me entender é diferente, mas da mesma forma continuo sem entender nada.

Sei que passo novamente por mais uma dessas crises que me desestabilizam. A primeira coisa que penso é em abandonar os compromissos. Deixar de lado essa história de trabalho (hoje tenho, enfim, a coisa mais próxima de emprego que já tive: um emprego). Penso em esquecer essa história de estudos, estudos, estudos. É fato que não nasci para estar em uma sala de aula. Nunca me adaptei. Desde que descobri o verbo “matar”, vi que ele se adequava bem às aulas. Agora, tento concluir uma fase pela qual todos se sentem pressionados a passar. Esse momento, teoricamente, decisivo para o resto de nossas vidas: a faculdade. É o último ano e estou totalmente sem expectativas. A questão é a seguinte: paro e espero a poeira baixar para depois terminar o curso ou... tento superar tudo e ser aprovada pelos professores mesmo que por pena? “To be or not to be, that is the question”.